Sobre a vida nos mudar e a gente mudar de vida

Em meio a minha jornada pela busca por saúde e amor próprio, conheci uma pessoa que me marcou muito.

Me marcou por sua segurança quando falava e pela sua história de luta e superação.

Resolvi então convida-la a contar essa luta em uma matéria, e ela topou.

Não só escreveu mas fez um vídeo sensacional em seu canal do YouTube ( você encontrará o link ao final da matéria).

Essa é a Melissa Brito e sua história de superação contra a bulimia.
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Sobre a vida nos mudar e a gente mudar de vida

Venci uma doença invisível que por muitos é tachada como frescura ou apenas futilidade. Bulimia e anorexia são transtornos sérios mas que podem ser confundidos com vaidade porque não sangram. Consciência e informação são passos cruciais para entender esses distúrbios. Compreendendo e querendo vencer, o ganho é inestimável: respeito por si mesma(o) e pelos outros e na sequência uma generosidade incrível abre caminho para o amor próprio.

Minha doença não se desenvolveu por uma questão estética, ela advém de um trauma. Não me tornei bulímica porque queria eliminar peso, nem porque precisava entrar num jeans 36. Ela aconteceu antes que eu pudesse me preocupar com o ponteiro da balança ou com o tamanho da minha calça.
Transtornos alimentares podem ou não estar relacionados a emagrecimento. No meu caso não passei por um processo de emagrecimento, era mais que isso, era uma doença.

O resultado final da minha equação foi: falta de saúde. Sem saúde não tem como emagrecer ou conquistar boa forma. Um corpo bonito precisa estar sadio, ter nutrientes, energia, viço, disposição. Sem os nutrientes dos alimentos não temos como nos exercitar. Sem nos exercitar, paralisamos e nos entregamos ao sedentarismo. Temos aí outra equação: na busca de um corpo bonito e saudável, é preciso uma mudança de mentalidade. E sim, as coisas mudaram. Fechar a boca para emagrecer é pragmatismo torto da década de 80, onde a indústria alimentícia exalava açúcar por todos os poros. Parar de comer não é a melhor prática. Vomitar comida também não. A grosso modo, se somos resultado de equações, precisamos equalizar os denominadores comuns para que as 4 operações saiam equilibradas.

Muita gente tende a confundir transtornos alimentares e disfórmicos com uma estratégia de perda de peso.

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Ao longo da vida não sei dizer quantos quilos exatamente ganhei ou eliminei. Isso não importa mais. Foram quase 3 décadas trabalhando a cabeça para chegar aqui e concluir que maltratar o corpo com comida (ou se privando dela) não vale a pena. A vida é absurdamente dinâmica para definir nosso peso pra sempre. Essa lógica é ilusória e engana a gente. Em contrapartida, somos seres finitos demais para viver um milhão de possibilidades. E é por isso que no mundo tem tanta gente vivendo vidas tão diferentes das nossas. Talvez eu nunca viaje para o Tibet.

Talvez eu não consiga participar de um enduro no deserto do Atacama. Talvez eu jamais saia em uma escola de samba. Muito provável que eu não faça uma expedição para a Fossa Abissal das Filipinas. Não sei o que é ter uma irmã gêmea idêntica. Mas se você tem uma irmã gêmea e me conta como se sente com isso, sua experiência passa a ser minha também. Se você me conta em detalhes como foi visitar o Louvre, eu posso entrar nessa viagem com você e conhecer mais do museu por meio da sua experiência. Se você me disser que precisou fazer relactação com a sonda porque seu recém nascido não acertava a pega, eu posso experiencializar essa situação sem tê-la vivido empiricamente.

Nós existimos um na vida do outro para trocar o que aprendemos, para alcançar uma sabedoria maior. E é por isso que aceitei contar minha história, para que o final feliz dela te sirva de inspiração e te mostre que dietas malucas e a corrida para ser magra(o) a qualquer custo é muito superficial perto do respeito e generosidade que você pode ter consigo mesma(o).

Revisito meu passado todo dia. É o único parâmetro que tenho para ser melhor hoje.
Meu caminho de agora é o do meio. Sem excessos ou exageros. Estou de mãos dadas com a pessoa que me tornei. Espero que você consiga experimentar minha experiência e que ela possa te tocar e te fazer pensar diferente, te ajudar, ou ajudar alguém que você conhece.

O que posso dizer a quem tem esse problema é:
1. Não se sinta sozinha(o).
2. Adquira consciência e a trabalhe de forma otimista. É como obter consciência corporal por exemplo. Quando trabalhada ela se expande e faz tudo ficar mais fácil, claro. Trabalhe a sua consciência com informação neutra.
3. Não deixe a informação adiquirida parada. Faça-a circular. Coloque-a em movimento.
4. Tenha respeito por você, pelas suas experiências. Este respeito não denota acatamento, obediência ou medo. Ele precisa ter os dois pés fincados na consideração, motivação e estima por você mesma(o). Se tiver dificuldades em se respeitar, peça ajuda à sua consciência neutra e pura descrita no tópico 2 acima.
5. Munida(o) do respeito neutro, procure ser generosa(o) consigo. Isso te trará aceitação e paz. Encontre a paz no que você tem de bom. O que você tem de bom é o que te conforta e tranquiliza.
6. Tranquila(o), você está mais que preparada(o) para conhecer, abraçar e acolher o seu amor próprio. Seja terna(o) com ele. Cuide bem dele e mantenha-o sempre em movimento para que possa se aperfeiçoar cada vez mais.
7. Procure ajuda profissional. Eu levei quase 30 anos para me cuidar. Quase 3 décadas sofrendo. Por favor, procure ajuda. Se conhece alguém que sofre disso, ajude essa pessoa. Assistência médica e psicológica são imprescindíveis para o controle da doença e uma futura cura. Hoje os tratamentos são acessíveis. Se informe.

E boa sorte :)

O que a vida tem de mais bonito é a diversidade. Experimente parar de se comparar e trabalhe para você ser sua própria inspiração.

É difícil, mas é possível.
A beleza das pedras, das plantas, dos bichos, dos lugares e das pessoas está na diversidade. Admirar o diferente é um dos maiores aprendizados de se estar vivo e o caminho mais florido para nos gostarmos como somos em nossas individualidades, sem neuras, crises, comparações e competições. Apenas não se esqueça de manter a roda do aperfeiçoamento girando. Não estou dizendo que iremos assim nos tornar seres perfeitos. Mas seguiremos cada vez melhores, isso é certeza. A melhor versão de nós mesmas(os).
O mais importante da vida, é a própria vida.

Contato: tpmatica@gmail.com
Instagram: https://www.instagram.com/melissa_brito/
LinkedIn: br.linkedin.com/pub/melissa-brito/52/529/381

Author: realmommy

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