#somosreais

Sobre emagrecer, engordar e o que isso nos faz sentir.

Posted by on 11:21 am in #realmommy, #realmommyfit, #somosreais, destaque | 2 comments

Sobre emagrecer, engordar e o que isso nos faz sentir.

Sabe a gente acha que emagrecer é a solução para todos os nossos problemas, quando estamos acima do peso.

Que seremos felizes, que só assim seremos amadas, merecedoras de algumas coisas que julgamos não serem possível com excesso de peso.

Aqui estou eu contando minha experiência em ganhar peso.

A quase 4 anos atrás estava me sentindo mal comigo mesma, sem prazer para nada. Não queria sair de casa. Eu me punia, odiava, queria sumir.

Me olhar no espelho então, JAMAIS!

Resolvi mudar, acreditei que estava vencendo a compulsão alimentar e os meus traumas pessoais. Emagreci 44 quilos e percebi que continuava me sentindo mal comigo mesma.

IMG_3905

Comecei a descontar minhas frustrações na comida novamente.

Durante o tempo em que emagreci, em nenhum momento me privei de algo, eu realmente estava em equilíbrio. Não fazia dietas malucas ou que estavam na moda.

Mas isso durou pouco e comecei a engordar, engordar, engordar …

E aqui estou eu novamente, voltando para o ponto de onde sai.

E enquanto o peso ia aumentando eu escutava comentários péssimos de muitas pessoas.

E os olhares então … nossa as pessoas não conseguem nem disfarçar.

Fui a uma festa no ano passado e enquanto caminhava na direção de uma pessoa que conheço, a mãe dela me olhava com uma cara de espanto e falava, nossa olha como ela engordou que horror.

Como se eu não estivesse olhando para elas e vendo tudo.

A menina falava para a mãe ficar quieta porque eu estava chegando, e eu fiz aquela cara de não ouvi nada, as cumprimentei e bati um papo.

Mas aquela olhar e aquele rosto ficaram na minha cabeça.

Um pouco depois ouvi de uma pessoa a seguinte coisa: – Você está muito gorda, não pode, e o casamento? Vai perder o marido.

E mais uma vez aquilo fica na cabeça e te faz sentir mal, insegura.

Em mais um tempo, fui comprar roupas e claro não encontrei nada que eu gostasse.

Nada me servia novamente.

Eu havia prometido para mim mesma que jamais deixaria de fazer algo, ou de ir a algum lugar novamente por estar “gorda demais”, segundo os padrões.

Mas confesso que isso não tem sido fácil, e realmente estou a um passo de não cumprir mais essa promessa.

Comecei a sentir vergonha de como estou e querer me esconder em meio a roupas, lenços e cintos.

Estou descontrolada, e não consigo comer de forma saudável e sem exageros um dia se quer.

E realmente as pessoas quando me encontram ou me mandam recado sempre dizem: – Lu você já sabe o caminho, vai conseguir emagrecer. Você será bem magrinha, vai ficar linda.

A mídia te diz que você não serve para representar nada porque está gorda demais.

E chega uma hora que você começa a
Acreditar em tudo isso outra vez.

Eu quero que você não acredite nisso. Eu não quero e não vou acreditar nisso.

Se você não está conseguindo seguir o suposto padrão perfeito de saúde e beleza não se odeio por favor.

Eu estou lutando comigo para não me odiar, porque não mereço isso.IMG_3155Você não merece essa raiva também.

Venho buscando me entender e encontrar um equilíbrio novamente a 1 ano.

Não siga a dieta do livrinho ou da musa fitness, e se puna porque comeu uma fatia de pizza.

Busque o equilíbrio como estou buscando.

Respeite o seu corpo e os seus limites, tenho lutando por isso também.

Somos reais e merecemos padrões reais, vidas reais, sorrisos reais, sonhos reais, fotos reais.

Eu quero e preciso ser real. Viver isso com verdade.

Vamos juntos dizer #somosreais e deixar de aceitar que somos menos.

Somos mais, somos únicos.

SOMOS REAIS.

E não se esqueçam, juntos somos mais fortes.

Sobre a vida nos mudar e a gente mudar de vida

Posted by on 1:40 pm in #inspiraçãoRealmommy, #somosreais, destaque | 0 comments

Sobre a vida nos mudar e a gente mudar de vida

Em meio a minha jornada pela busca por saúde e amor próprio, conheci uma pessoa que me marcou muito.

Me marcou por sua segurança quando falava e pela sua história de luta e superação.

Resolvi então convida-la a contar essa luta em uma matéria, e ela topou.

Não só escreveu mas fez um vídeo sensacional em seu canal do YouTube ( você encontrará o link ao final da matéria).

Essa é a Melissa Brito e sua história de superação contra a bulimia.
IMG_6776

Sobre a vida nos mudar e a gente mudar de vida

Venci uma doença invisível que por muitos é tachada como frescura ou apenas futilidade. Bulimia e anorexia são transtornos sérios mas que podem ser confundidos com vaidade porque não sangram. Consciência e informação são passos cruciais para entender esses distúrbios. Compreendendo e querendo vencer, o ganho é inestimável: respeito por si mesma(o) e pelos outros e na sequência uma generosidade incrível abre caminho para o amor próprio.

Minha doença não se desenvolveu por uma questão estética, ela advém de um trauma. Não me tornei bulímica porque queria eliminar peso, nem porque precisava entrar num jeans 36. Ela aconteceu antes que eu pudesse me preocupar com o ponteiro da balança ou com o tamanho da minha calça.
Transtornos alimentares podem ou não estar relacionados a emagrecimento. No meu caso não passei por um processo de emagrecimento, era mais que isso, era uma doença.

O resultado final da minha equação foi: falta de saúde. Sem saúde não tem como emagrecer ou conquistar boa forma. Um corpo bonito precisa estar sadio, ter nutrientes, energia, viço, disposição. Sem os nutrientes dos alimentos não temos como nos exercitar. Sem nos exercitar, paralisamos e nos entregamos ao sedentarismo. Temos aí outra equação: na busca de um corpo bonito e saudável, é preciso uma mudança de mentalidade. E sim, as coisas mudaram. Fechar a boca para emagrecer é pragmatismo torto da década de 80, onde a indústria alimentícia exalava açúcar por todos os poros. Parar de comer não é a melhor prática. Vomitar comida também não. A grosso modo, se somos resultado de equações, precisamos equalizar os denominadores comuns para que as 4 operações saiam equilibradas.

Muita gente tende a confundir transtornos alimentares e disfórmicos com uma estratégia de perda de peso.

IMG_6775

Ao longo da vida não sei dizer quantos quilos exatamente ganhei ou eliminei. Isso não importa mais. Foram quase 3 décadas trabalhando a cabeça para chegar aqui e concluir que maltratar o corpo com comida (ou se privando dela) não vale a pena. A vida é absurdamente dinâmica para definir nosso peso pra sempre. Essa lógica é ilusória e engana a gente. Em contrapartida, somos seres finitos demais para viver um milhão de possibilidades. E é por isso que no mundo tem tanta gente vivendo vidas tão diferentes das nossas. Talvez eu nunca viaje para o Tibet.

Talvez eu não consiga participar de um enduro no deserto do Atacama. Talvez eu jamais saia em uma escola de samba. Muito provável que eu não faça uma expedição para a Fossa Abissal das Filipinas. Não sei o que é ter uma irmã gêmea idêntica. Mas se você tem uma irmã gêmea e me conta como se sente com isso, sua experiência passa a ser minha também. Se você me conta em detalhes como foi visitar o Louvre, eu posso entrar nessa viagem com você e conhecer mais do museu por meio da sua experiência. Se você me disser que precisou fazer relactação com a sonda porque seu recém nascido não acertava a pega, eu posso experiencializar essa situação sem tê-la vivido empiricamente.

Nós existimos um na vida do outro para trocar o que aprendemos, para alcançar uma sabedoria maior. E é por isso que aceitei contar minha história, para que o final feliz dela te sirva de inspiração e te mostre que dietas malucas e a corrida para ser magra(o) a qualquer custo é muito superficial perto do respeito e generosidade que você pode ter consigo mesma(o).

Revisito meu passado todo dia. É o único parâmetro que tenho para ser melhor hoje.
Meu caminho de agora é o do meio. Sem excessos ou exageros. Estou de mãos dadas com a pessoa que me tornei. Espero que você consiga experimentar minha experiência e que ela possa te tocar e te fazer pensar diferente, te ajudar, ou ajudar alguém que você conhece.

O que posso dizer a quem tem esse problema é:
1. Não se sinta sozinha(o).
2. Adquira consciência e a trabalhe de forma otimista. É como obter consciência corporal por exemplo. Quando trabalhada ela se expande e faz tudo ficar mais fácil, claro. Trabalhe a sua consciência com informação neutra.
3. Não deixe a informação adiquirida parada. Faça-a circular. Coloque-a em movimento.
4. Tenha respeito por você, pelas suas experiências. Este respeito não denota acatamento, obediência ou medo. Ele precisa ter os dois pés fincados na consideração, motivação e estima por você mesma(o). Se tiver dificuldades em se respeitar, peça ajuda à sua consciência neutra e pura descrita no tópico 2 acima.
5. Munida(o) do respeito neutro, procure ser generosa(o) consigo. Isso te trará aceitação e paz. Encontre a paz no que você tem de bom. O que você tem de bom é o que te conforta e tranquiliza.
6. Tranquila(o), você está mais que preparada(o) para conhecer, abraçar e acolher o seu amor próprio. Seja terna(o) com ele. Cuide bem dele e mantenha-o sempre em movimento para que possa se aperfeiçoar cada vez mais.
7. Procure ajuda profissional. Eu levei quase 30 anos para me cuidar. Quase 3 décadas sofrendo. Por favor, procure ajuda. Se conhece alguém que sofre disso, ajude essa pessoa. Assistência médica e psicológica são imprescindíveis para o controle da doença e uma futura cura. Hoje os tratamentos são acessíveis. Se informe.

E boa sorte :)

O que a vida tem de mais bonito é a diversidade. Experimente parar de se comparar e trabalhe para você ser sua própria inspiração.

É difícil, mas é possível.
A beleza das pedras, das plantas, dos bichos, dos lugares e das pessoas está na diversidade. Admirar o diferente é um dos maiores aprendizados de se estar vivo e o caminho mais florido para nos gostarmos como somos em nossas individualidades, sem neuras, crises, comparações e competições. Apenas não se esqueça de manter a roda do aperfeiçoamento girando. Não estou dizendo que iremos assim nos tornar seres perfeitos. Mas seguiremos cada vez melhores, isso é certeza. A melhor versão de nós mesmas(os).
O mais importante da vida, é a própria vida.

Contato: tpmatica@gmail.com
Instagram: https://www.instagram.com/melissa_brito/
LinkedIn: br.linkedin.com/pub/melissa-brito/52/529/381

Como você se vê, influência seu filho na forma como ele se vê

Posted by on 12:47 pm in #realmommy, #somosreais, destaque | 0 comments

Como você se vê, influência seu filho na forma como ele se vê

Você já parou para pensar que não é só a mídia destruidora quem influência seus filhos?

A forma como você se enxerga e se trata também faz isso.

Não adianta dizer a sua filha por exemplo o quanto ela é linda, e como ela é livre para fazer suas escolhas, enquanto as suas atitudes com você disserem a ela exatamente o contrário.

Hoje mais de 90% das mulheres está insatisfeita com seu corpo e isso não tem afetado apenas pessoas adultas.

O índice de adolescentes que se odeiam, e se acham inferiores por sua aparência só cresce.

E toda essa auto imagem que temos sobre nós tem comprometido a forma como nossos filhos se veem.

As crianças, principalmente as meninas, começam a fazer dieta cada vez mais cedo. As meninas aos 6 anos já começam a dar indícios de não estarem satisfeitas com sua aparência física.

Isso é terrível!

O que devemos fazer para mudar esse quadro? Parar com essa história de nos odiarmos?

E não adianta ser da boca para fora. Você realmente precisa cuidar do que tem por dentro. Dos seus sentimentos, sua confiança.

Descobrir o que quer de verdade, seus reais sonhos, anseios.

Não seja mais uma pessoa a dizer ( mesmo que com suas atitudes), aos seus filhos que eles não são bons o bastante.

Tenha orgulho de você e com isso passará essa firmeza e segurança para eles.

Seja uma mulher confiante, não deixe o medo te impedir de seguir em frente.

Isso hoje em dia pode parecer quase impossível, mas não é.

Precisamos nos libertar de padrões e começar a amar o que somos. De onde viemos. Respeitar nossa história.

Todos temos medos, o segredo está na forma como encararamos esses temores.

Fracassos então, nossa como fracassamos.

Mas vamos permitir que a sensação de não ter conquistado nos impeça de continuar batalhando?

É isso que você quer?

É isso que quer ensinar aos seus filhos?

Tenha a coragem de se olhar no espelho.
Sim se olhar. Lá dentro dos seus olhos.
Somente você. Livre de máscaras ou cobranças.

Olhe nos seus olhos com delicadeza, com aquela serenidade que você consola um amigo que precisa de um colo e diga palavras de conforto e motivação.
Você merece esse elogio, merece esse acalento, merece se amar. Seja seu amigo e não seu inimigo.

Mude a ótica, transforme a sua vida.

Além de transformar a sua história com essa atitude, você realmente irá transformar de forma positiva a vida dos seus filhos.

Eles serão confiantes pois terão pais confiantes.

Nunca se desmereça na frente dos seus filhos. Eles te admiram e te amam.

Se ame também.

Seja aquilo que você deseja que eles sejam. Tenha a atitude que você quer que eles tenham.

Somos espelho e eles repetem o que aprendem.

Tenha orgulho de você, da sua garra, dos seus defeitos, das suas qualidades.

Ser você é a melhor coisa que fará. E será libertador.

 

Luciana Sacramento

Eu e a compulsão alimentar

Posted by on 1:37 pm in #realmommy, #realmommyfit, #somosreais, destaque | 0 comments

Eu e a compulsão alimentar

Eu e a compulsão alimentar não nos damos bem.

image

Ela quer que eu continue dizendo que sou compulsiva, mas eu não digo mais isso.

Um dia eu me percebi compulsiva, devorando tudo o que via em minha frente como um animal selvagem.

E não importava o que acontecesse, mesmo se eu estivesse em um momento estável eu continuava dizendo EU TENHO COMPULSÃO ALIMENTAR.

Então não fazia diferença o quanto eu lutava, eu sempre voltava a uma crise. Meu cérebro acreditava que eu precisava voltar a uma atitude compulsiva.

Até que em um determinado, momento conversando com uma amiga chamada Amanda Delffino eu comecei a mudar esse pensamento.

Ela me falou – Lu para de dizer que você é compulsiva, diga que você teve episódios de compulsão alimentar.

Na hora eu disse que iria tentar mas sem acreditar muito hahahahaha.

Parei de dizer então que eu tinha compulsão alimentar. No começo nada mudou e continuei atacando o mundo hahahahahahaha.

image

Depois eu tomei uma decisão, não iria mais comer em pé. Fiz isso porque eu sempre atacava a comida que estava na geladeira ou comia em pé na frente do fogão, direto na panela.

A compulsão te faz sentir refém, em uma prisão sem fim. Você sempre volta aquela mesma situação. Isso frustra demais e desmotiva muito.

Então lá fui eu comer sentada, e os ataques diminuíram um pouco.

Mas o que me mudou de verdade foi começar a pensar antes de comer. Sim!

Toda vez que ia atacar algo eu pensava qual seria o resultado daquilo, e não ficava muito feliz com a resposta. Aí pensava no que eu poderia fazer para evitar aquela situação e qual seria o resultado, então fazia o plano B.

Comecei a montar um monte de planos B em minha cabeça. Acreditem isso me mudou.

E por um momento eu comecei a acreditar no que eu estava dizendo. Eu não sou compulsiva, tenho momentos compulsivos.

Esses momentos no geral sempre acontecem quando estou passando por algum tipo de problema.

Depois que minha mente deixou de acreditar que eu era compulsiva, tudo ficou mais fácil.

Não eu não deixei de ter vontades, e tem certas ocasiões que são difíceis para mim.

Mas não por compulsão e sim porque me deixam uns 2 dias fora do eixo e querendo comer besteiras, principalmente à noite.

Por exemplo aniversários, eu ainda não fico completamente controlada. Às vezes tem festas que consigo encarar numa boa, mas ai no dia seguinte tenho vontade de comer tudo que vejo na frente.

Mas sei que não é fome. E algumas vezes acabo cedendo.

Depois que mudei meu pensamento tive uns 3 momentos de descontrole, mas nunca como antes.

A sensação no final é completamente diferente. Na hora em que estava comendo as besteiras eu falei para mim mesma – Aí só hoje Luciana porque você passou por tal situação.

Ai pensei opaaaaaaa, olha lá eu cedendo as minhas vontades e comendo muito mais do que preciso. Não estou só matando a vontade, estou comendo demais.

Quando esse pensamento vinha, pronto tudo aquilo acabava ali.

Uma dica que te dou hoje, crie muitos e muitos planos B em sua cabeça.

Organize a sua vida, tenha sempre algo na bolsa para não chegar com muita fome na próxima refeição.

Continue sendo forte. Sim quem luta contra a compulsão é forte demais porque sempre quer vencer a esse impulso.

Você é mais forte do que imagina. Não desista. Continue lutando.

image

Minha vida após a maternidade por Liliana Bastos

Posted by on 1:39 pm in #somosreais | 0 comments

Minha vida após a maternidade por Liliana Bastos

Minha vida após a maternidade

image

Tudo na minha vida sempre foi muito bem planejado: faculdade, trabalho, casamento e filhos. Venho de uma familia humilde e sempre batalhei muito para conseguir alcançar os meus obejtivos.

Em 2013, depois de 2 anos de casada, começamos a nos organizar e planejar nosso primeiro filho. Reduzi tudo que podia, economizei, abri mão. Precisavamos guardar uma quantia que me permitisse sair do emprego e ficar 6 meses em casa após o fim da minha licença maternidade. Queria ficar em casa até o nosso bebê completar 1 ano.

Eu trabalhava em uma fábrica a 100 Km de casa, saía antes das 6 da manhã e esse horário não me permitia deixar o bebê em uma creche, também não era possível pagar uma babá para morar conosco. Também não era o que eu queria, essa era a verdade.

Tudo caminhava bem, e como boa engenheira eu fazia planilhas, esboçava cenários e calculava com base nas despesas reduzidas quanto tempo eu poderia ficar em casa até retornar novamente ao mercado de trabalho.

Chegou a hora, alcançamos o alvo nas economias, não foi tão fácil quanto parece agora, a gente não comia fora, eu não frequentava salões de beleza, não íamos a cinema. Passeios só ao ar livre, tudo que era de graça era bem vindo! Mas foi um tempo bom, vimos o quanto gastávamos com coisas desnecessárias, dedicamos nosso tempo livre a boas rodas de conversa com os familiares, descobrimos o prazer da corrida ao ar livre nos fim de semana, passamos a nos alimentar melhor, perdemos peso, ganhamos saúde física e emocional. Foi importante, nos ensinou e nos preparou para o que estava por vir.

Em junho de 2014 engravidei! Que felicidade! Era o tão esperado e planejado primeiro filho, ou melhor, filha! Descobrimos que nasceria a Maria Clara e ficamos radiantes de alegria!

Tudo caminhava bem na minha gestação, muito trabalho na fábrica, muito trabalho em casa pra dar conta de tudo e manter as economias, meu esposo levava marmita e eu cozinhava todas as noites para que ele pudesse comer bem. Era uma forma de economizar, era o meu cuidado com ele. Mas como nem tudo é perfeito e infelizmente (ou felizmente) não podemos controlar tudo, o salário do meu esposo começou a atrasar, a empresa ia mal, foi o nosso primeiro alerta.

image
Maria Clara nasceu linda e cheia de saúde em março de 2015, também já era nascida uma grave crise econômica no país, a empresa em que o meu esposo trabalhava já demorava 2 meses para pagar o sálario, as coisas começaram a complicar.

Pra nossa segurança e tranquilidade, quando ele não recebia, recorríamos as nossas economias, e quando o salário entrava, devolvíamos para a nossa reserva. Faltando 1 mês para o fim da minha licença (que foram de 5 meses porque eu pedi férias junto com a licença) eu fraturei a tíbia. Como? Até hoje não sei. Mas foi o que aconteceu, comecei a sentir dores no joelho até não conseguir mais andar.

Quando fiz o exame, estava lá, o osso fraturado! Eu não sabia se ria ou se chorava! Por um lado eu sabia que ficaria mais tempo com a minha filha, por outro, como fazer para cuidar dela com a perna imobilizada, como reagiriam no meu trabalho com a noticía do afastamento? Chorei, questionei a Deus, me lamentei. Depois respirei fundo e percebi que Deus estava me dando uma oportunidade de ver que embora os planos não fossem como eu imaginava, eu estava ali, com a minha filha perto de mim.

As dificuldades eram grandes com a perna quebrada, eu não conseguia fazer repouso. E quando já tinha quase 1 mês nessa situação, meu esposo me liga: – “Amor, tô indo pra casa. Fui demitido! O setor de engenharia acabou.” E mais uma vez, rir ou chorar? Já não sabia mais. Preparei um café e esperei ele chegar. Nos abraçamos, chorei.

Era hora de replanejar, a empresa não teve dinheiro para demitir os funcionários e tiveram que entrar na justiça, mais uma vez recorremos às nossas economias para driblar a situação. Vivemos quase 3 meses os 3 juntinhos, foi ótimo, foi lindo! Fiquei boa da fratura e no dia em que a Maria Clara completava 9 meses retornei ao trabalho.

Que dor, que sofrimento, que desespero! Meu esposo cuidava dela já que estava desempregado, eu saía antes das 6h da manhã e chegava as 19 h, ela dormia às 22h. Resumindo, via a minha filha 3h por dia e isso me cortava o coração, me destruía, não dava pra viver assim, também não dava para ser irresponsável e jogar tudo pro alto. Afinal de contas, ela não estava na creche, estava com o pai, e ele cuidava muito bem dela.

Quase 2 meses depois meu esposo conseguiu um emprego, foi um milagre, afirmo com toda certeza! Mas isso é história pra outro relato.. E agora? Quem fica com a Maria Clara? Era muito cedo para eu deixar o meu emprego. Minha mãe (e meu pai) nos socorreram! Minha mãe vinha pra cá e dormia quase a semana toda aqui. Quando ela não podia, meu esposo deixava a Maria Clara antes das 6h na casa dos meus pais.

Era cansativo pra todo mundo. Eu, meu esposo, minha mãe, meu pai e a minha filha estávamos exaustos mas, era o que tinhamos.

Comecei a planejar minha saída do emprego, não foi fácil, foram quase 7 anos ali, tinha uma história envolvida. Meu chefe se recusava a me demitir. Eu precisava da demissão para poder resgatar meu FGTS e sobreviver mais um tempo. A crise se agravou e eu não sabia (ainda não sei) quanto tempo seria preciso para poder me recolocar no mercado de trabalho. E eis que um dia antes da minha filha completar um ano, alcancei a liberdade que o meu coração desejava – fui demitida!

Voltei pra casa chorando muitooooo, era alegria, alívio, saudade, medo, euforia! Tudo junto! Cheguei em casa e abracei minha filha, ela sorriu como se não acreditasse que eu estava ali (com ela) na hora do almoço!

image
Amanheceu o dia 16/03/2016 e eu estava ao lado dela. Feliz Aniversário, minha filha! Toda essa história de luta, renúncia e amor, é pra você!

A Maria Clara completou 1ano e 1 mês essa semana, seguimos ainda nos organizando, nos encontrando e está sendo uma experiência extraordinária. Não sei o que ainda nos espera, os dias estão difíceis no nosso país para fazer planos.

Por enquanto estamos vivendo um dia de cada vez e aproveitando a oportunidade da companhia uma da outra. Não poderia ser melhor. Não tenho muito. Mas tenho tudo o que mais importa, um lar cheio de amor.

Dedico este texto a todas as mães que abandonaram suas carreiras para viver a maternidade e também aquelas que escolheram seguir nos seus trabalhos, sei o quanto é doloroso e difícil esse momento na vida de todas as mulheres.

O mais importante nisso tudo é olhar pra dentro da gente e sentir que estamos no caminho certo, seja ele qual for!

(Texto de Liliana Bastos. Instagram @mamaedeprimeira)

Faço coisas como uma garota!

Posted by on 11:56 pm in #somosreais | 0 comments

Faço coisas como uma garota!

Sou uma garota. Sim não escolhi ser, simplesmente sou.

Sou o sexo frágil, aquela que não é capaz de fazer coisas grandiosas, aquela que não tem força, que não pode salvar alguém.

Aquela que não tem coragem e depende sempre de um homem para defende-la.

Aquela que sempre está errada e não sabe de nada.

Sou do sexo que é inferior, que não merece ser respeitado e sim tenho que entender o meu lugar.

O que ????

NÃOOOOOOOOOO !!

Essa semana ao ver um vídeo, ouvi uma frase que me fez ainda mais forte.

Uma menina contava a história de sua vida e como ela conseguiu sair da Coréia do Norte com sua família. Em um determinada momento de sua adolescência, seu pai morreu e ficou ela e sua mãe.

Um dia sua mãe foi estuprada por um homem na frente dela. Na verdade a mãe dela se permitiu ser abusada para proteger a menina. Foi nesse momento que ela disse esse ditado.

Mulheres são frágeis, mães são fortes.

Por que somos tratadas como as culpadas por qualquer coisa que nos aconteça?

Se somos estupradas, foi nossa culpa, alguma coisa fizemos para acontecer o abuso.

Se não crescemos profissionalmente por existirem mais oportunidades para o sexo masculino, também é nossa culpa, somos incompetentes, ou podemos engravidar e é um absurdo contratar alguém que tenha grande chance de ficar de licença por um tempo.

Não, nós não temos culpa.

Hoje ao assistir uma campanha feita pela marca de absorventes Always, chamada #likeagirl (como uma menina), eu entendi como o preconceito vem desde a nossa infância.

Fazer algo como uma menina, como uma mulher não é uma crítica, é uma coisa boa.

Não use essa frase com tom de menosprezo. Somos mulheres e somos boas em tudo o que quisermos fazer. Cada uma com suas aptidões como qualquer pessoa.

E meninos, sabe aquela piadinha quando você era uma criança, ou um adolescente. Aquela tirando sarro de uma menina somente entre vocês, sobre seu corpo, suas formas, e todos riam. Essa piadinha não é tão inofensiva assim.

Sabe aquele cara que conta para os amigos o que fez com determinada menina, e mostra fotos e vídeos íntimos para seus amigos, e todos olham e riem e usam essas coisas das piores formas possíveis? Isso também não é inofensivo.

Não permita que seu amigo fale, ou faça isso com alguém, reprove essa atitude, não escute. Não leve para outras pessoas o que uma pessoa imatura disse sobre uma mulher que confiou nela.

Você ficar calado e não dizer nada, também é uma forma de consentimento. E com isso essa atitude nunca irá acabar.

E muitas vezes são os próprios pais que estimulam esse tipo de atitude com seus filhos, fazendo comentários sobre determinadas mulheres, levando seus filhos a aprenderem e acharem isso o certo.

E esses meninos aprendem que a mulher não deve ser respeitada, e vão sempre achar que a culpa é delas.

Você tem culpa ao ficar calado.

Nós mulheres merecemos respeito.

E não, não é legal ouvir algo sobre nosso corpo quando passamos perto de vocês.

Não é legal ser agarrada pelo braço quando vamos a uma balada.

Não é legal ser beijada a força.

Não é legal ser tocada e ameaçada e ainda ouvir “eu sei que você quer”.

E não, não é uma ofensa ouvir que faço algo #likeagirl.

Tenho orgulho de ser uma garota.